Caso você não visualize as animações corretamente, clique aqui para fazer o download do plugin do Flash.

BM&F Bovespa

Notícias

Há dez anos, Marílson Gomes dos Santos conquistava a Maratona de Nova York pela primeira vez


Em 5 de novembro de 2006, fundista se tornou o primeiro sul-americano a vencer a prova; aos 39 anos, recém-aposentado, Marílson relembra detalhes da vitória e fala da nova função no Clube de Atletismo BM&FBOVESPA


Stephen Chernin/Getty Images
Marílson Gomes dos Santos com a bandeira brasileira: vitória na Maratona de Nova York


São Caetano do Sul – O dia 5 de novembro de 2006 entrou para a história do atletismo brasileiro. Há dez anos, Marílson Gomes dos Santos cruzava a linha de chegada da Maratona de Nova York como campeão. Era a primeira vez que o brasiliense Marílson, que defendeu o Clube de Atletismo BM&FBOVESPA durante toda sua carreira, ganhava na distância de 42,195 km – fez o tempo de 2h09min58. Era, também, a primeira vez que um fundista sul-americano triunfava na prova nova-iorquina.


“Essa vitória foi muito especial. Foi quando eu, pessoalmente, comecei a acreditar que poderia mesmo correr a distância, que era capaz. Depois de ganhar a Maratona de Nova York pela primeira vez, consegui alcançar os objetivos que queria: quebrei o recorde sul-americano da meia-maratona em 2007 – era o único não africano a correr abaixo de 1h (59min33), melhorei minha marca na maratona também (em Londres/2007 fez 2h08min37), ganhei Nova York pela segunda vez em 2008 e participei de três Olimpíadas.”


Marílson também lembra que a conquista abriu as portas para todas as outras maratonas do mundo. “Depois de vencer em Nova York, pude correr em qualquer outra maratona. Poderia escolher qualquer uma que quisesse, ficou muito mais fácil, o que não é sempre que acontece. Quando você é um corredor iniciante, ou não tem um tempo muito bom, entrar em uma prova pode ser bem burocrático. Mas recebi convites de várias maratonas, até mesmo no meu último ano”, relata o ex-fundista, que encerrou sua vitoriosa carreira na maratona dos Jogos Olímpicos do Rio, em agosto. Marílson correu em Nova York outras quatro vezes: foi 8º em 2007, conquistou o bicampeonato em 2008, abandonou a prova em 2009 no km 34 e foi 10º em 2010.


O ex-corredor conta que, em 2006, não era um iniciante nos 42,195 km: “Já era minha quinta maratona”. Ele conhecia alguns corredores, como o queniano Paul Tergat, então recordista mundial da maratona e que tinha corrido várias vezes a São Silvestre. Mas Marílson não era considerado um potencial vencedor. “Eu tinha a expectativa de fazer uma boa prova, não uma boa marca, porque o percurso é muito duro, mas tinha a chance de conseguir uma boa colocação, ficar entre os três primeiros, aparecer no cenário da prova”, recorda. “Enfrentaria grandes adversários, africanos que já tinham corrido para 2h05, 2h06. Mas cheguei tranquilo porque já tinha corrido para 2h08 em Chicago.”


Familiarizado com a distância e com um percurso cheio de subidas e descidas, que comparou com o da São Silvestre (prova na qual foi vencedor por três vezes – 2003, 2005 e 2010), Marílson enfrentaria uma condição adversa: o clima. “Teve esse detalhe, eu nunca havia corrido uma maratona com uma temperatura tão amena. Eu nunca tinha usado manguitos, touca e luva. Achei até que isso poderia me atrapalhar, mas pelo contrário, ajudou demais a me proteger do frio. Fiz minha preparação em Campos do Jordão, que já é mais quente nessa época do ano.”


Fernanda Paradizo
O técnico Adauto Domingues e Marílson nas ruas de Nova York, em 2009

Técnico de Marílson durante toda carreira, Adauto Domingues conta que a escolha de Nova York foi uma tentativa de adequar o estilo de corrida do pupilo com as características do percurso. “Da primeira maratona dele, em 2004, até então, ele sempre havia entrado em provas muito rápidas. Eram provas para conseguir marca, mas não colocação. E aí conversando com várias pessoas, cheguei à conclusão de que Nova York seria um percurso bom para ele. Havia algumas possibilidades – eram pelo menos 15 atletas muito bons. Pensamos em cenários: ficar entre os 10, subir ao pódio e até ganhar. Mesmo assim, foi uma surpresa ele ter vencido logo no primeiro ano.”


De “ilustre desconhecido” a celebridade


Às vésperas da prova, Marílson foi levado por seu manager, Luis Felipe Posso, à coletiva de imprensa. “Fui mais para me enturmar. Cheguei como um mero desconhecido para a imprensa. Lembro que, na ocasião, ele me apresentou a um jornalista que faria a transmissão da prova pela TV. O Felipe falou: ‘Esse é o cara que vai ganhar’. Eu lembro da cara do jornalista, com uma expressão do tipo ‘Você está louco?''”, conta, aos risos.


Marílson não só ganhou como venceu a prova tendo desgarrado do pelotão principal na altura do km 30. “Ainda havia uma desconfiança sobre mim, mesmo com o título, de que talvez eu tivesse vencido porque os outros não foram bem. Mas isso me deu ainda mais vontade de voltar e ganhar novamente, o que aconteceu em 2008, quando eu ganhei a prova de um jeito bem diferente, no último quilômetro.” Adauto estava no Brasil, acompanhando a prova pela internet.


A vitória levou Marílson ao estrelato. “Começou a surgir repórter não sei de onde. Foi um negócio maluco. Fui a vários eventos, tive inúmeros compromissos com a organização, fui ao programa do David Letterman, mas acabei não entrando porque o tempo acabou”, recorda. “Tive a oportunidade de correr todas as grandes maratonas do mundo, mas, sinceramente, Nova York é ‘a’ maratona. É um show, da largada à chegada, com toda a cidade mobilizada. É mais que uma prova, é um grande evento”.


No retorno ao Brasil, o vencedor ganhou um presente da companhia aérea pela qual viajava: foi transferido da classe econômica para a primeira classe. “Mas entrei no avião e capotei. Nem aproveitei a viagem!”, brinca. A chegada em São Paulo foi no dia 8 de novembro. Ainda cansado física e mentalmente, enfrentou nova maratona. “Muita gente ficou sabendo. Acho que a prova não foi nem transmitida, passou a ser depois que ganhei. Então foi muito legal o reconhecimento no Brasil. Eu estava exausto, fui emendando os compromissos, mas foi super gratificante.”


Para o técnico, a repercussão foi muito além do imaginado. “Sendo bem honesto, não imaginava que a repercussão seria tão grande. A gente não tinha noção. Não foi questão de menosprezar a conquista, mas não tínhamos a dimensão do que havia sido conquistado, até porque ninguém tinha feito isso antes.” Adauto afirma que o feito foi um divisor de águas. “É como se diz… É difícil chegar a um limite, e mais difícil ainda, a manutenção. Fora a questão prática de passar a ser visto com outros olhos, ser mais respeitado por adversários e organizadores, também aumentou a nossa responsabilidade. O Marílson se tornou o campeão de uma major (um das seis maiores maratonas do mundo)“.


Vida nova fora das pistas


A última competição de Marílson Gomes dos Santos foi a Olimpíada do Rio. Aos 39 anos, decidiu aposentar-se das pistas, mas continuará próximo do esporte que praticou por toda a vida, desde os 12 anos. O agora ex-atleta entra para o time que gerencia o Clube de Atletismo BM&FBOVESPA, trabalhando junto às categorias de base da equipe.


“É impossível desvincular meu nome ao da BM&FBOVESPA. Me sinto muito honrado de ter continuado no Clube, de estar perto daquilo que eu mais gosto, que é o atletismo, as competições. Fiquei muito contente com o convite e de poder fazer o que eu sei de uma maneira diferente. Foi um convite muito comemorado”.


Marílson ainda curte os últimos dias de férias com a família, mas já está elaborando os desafios de sua nova função. “Quero ajudar a detectar novos talentos, fazer o intercâmbio com atletas que já tenham bons resultados. Quero viajar para ver competições, observar a garotada que está competindo.” Apesar de ex-atleta, Marílson não será, entretanto, um ex-corredor. Desde a Olimpíada, quando fez questão de terminar o percurso e chegar na 59ª posição, Marílson já deu alguns trotes. “Mas não fiquei muito contente não. Ainda está doendo tudo”, brinca. “Mas não vou deixar de correr. Até porque quero também ajudar a Juliana nos treinos”, disse, referindo-se à esposa, campeã pan-americana dos 5.000 m e recordista sul-americana dos 3.000 m com obstáculos, com quem é casado há 14 anos.


Adauto, que também é técnico de Juliana, celebra as conquistas do agora ex-atleta Marílson. “Faltou uma medalha olímpica, que o Marílson tinha condição de ter ganhado já em Pequim – tanto que, no mesmo ano, venceu Nova York pela segunda vez, com uma marca impressionante, 1h02 na segunda metade. Mas nem sempre é possível ter tudo. Posso dizer que a carreira dele foi brilhante.”


O Clube de Atletismo BM&FBOVESPA, comprometido com o desenvolvimento do Brasil pelo esporte, tem parceria com CAIXA, Pão de Açúcar, Prefeitura de São Caetano e Nike.



Voltar à Home
Ir para o Topo
Copyright © 2010 Clube de Atletismo BM&FBOVESPA. Acesse e conheça o Instituto BM&FBOVESPA. Termos e Condições.
Content Stuff