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BM&F Bovespa

Palavra de especialista

26/12/2011

A disponibilidade energética e a Tríade da Mulher Atleta


A baixa disponibilidade energética é o componente-chave para a Tríade e parece ser um fator que afeta negativamente a saúde reprodutiva e do esqueleto


A Tríade Da Mulher Atleta é descrita pelo American College of Sports Medicine como a consequência de uma inter-relação entre a disponibilidade energética, a função menstrual e a densidade mineral óssea.

 

Esta relação abrange desde a condição de saúde até a doença. O extremo deste espectro desencadeia manifestações clínicas da tríade que incluem os distúrbios nutricionais, a amenorreia (ausência de ciclos menstruais por mais de três meses) e a osteoporose. Estas três condições, isoladas ou combinadas, podem impactar significativamente na saúde da mulher atleta.

 

A mulher atleta pode se mover ao longo destes três espectros em diferentes intensidades e direções, de acordo com a sua alimentação e seus hábitos de exercícios.

 

A baixa disponibilidade energética é o componente-chave para a Tríade e parece ser um fator que afeta negativamente a saúde reprodutiva e do esqueleto. A disponibilidade energética é definida como a energia da ingesta alimentar menos a energia despendida durante o exercício, o que caracteriza a quantidade de energia da dieta remanescente para as funções do organismo.

 

A baixa disponibilidade energética parece ocorrer abaixo de 30kcal/kg de massa livre de gordura (massa magra) por dia. Quando a disponibilidade energética é muito baixa, as funções fisiológicas do corpo são forçadas a reduzir a quantidade de energia utilizada. Estas funções podem incluir a manutenção celular, o crescimento, a reprodução e a regulação de temperatura.

 

A restrição severa da dieta pode interromper a função reprodutiva, entretanto, quanto mais ativa fisicamente for a mulher, menor restrição alimentar será necessária para ocorrer uma baixa disponibilidade energética.

 

O estresse físico do exercício não é a causa da interrupção da função menstrual, mas sim a baixa disponibilidade energética. Para alguns indivíduos, uma diminuição do gasto energético do exercício é necessária para restaurar o balanço energético. Entretanto, para muitos indivíduos, um aumento na ingesta energética da dieta para suportar as demandas do exercício pode ser suficiente para restaurar a função menstrual.

 

A disponibilidade energética baixa da mulher atleta pode ser decorrente de muitas causas: não intencionais, intencionais e psicopatológicas. Nem todos os casos de baixa disponibilidade energética são resultantes de desordens alimentares. Logo, a causa deve ser identificada antes que o tratamento se inicie.

 

Os distúrbios alimentares podem significar alto risco para a saúde da mulher atleta. Assim, o diagnóstico precoce e o tratamento multidisciplinar são fundamentais para um resultado positivo.

 

As mulheres que participam de atividades esportivas que suportem no mínimo o próprio peso, apresentam uma densidade mineral óssea entre 5 a 15% maior do que as não atletas. A osteoporose é a condição potencialmente mais grave quando compromete a força dos ossos, o que predispõe ao aumento do risco de fraturas.

 

A disponibilidade energética adequada promove a saúde dos ossos diretamente, por meio da estimulação da produção de hormônios, que desencadeiam a formação óssea, e indiretamente, preservando a produção de estrógeno e os ciclos menstruais normais (eumenorréia).

 

Tenha consciência da importância da alimentação a para a manutenção de sua vida esportiva saudável.

 

Bons treinos!

 

Dr. Cristiano Frota de Souza Laurino

Médico Ortopedista do Clube de Atletismo BM&F/BOVESPA



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