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Palavra de especialista

28/10/2014

Análise Biomecânica Comparativa da Técnica de Barreiras nos 110 m e 400 m em Atletas de Elite


Trabalho apresentado no XXIV Congresso da Sociedade Internacional de Biomecânica e XV Congresso Brasileiro de Biomecânica em agosto de 2013, em Natal (RN), por Marcelo dos Santos Lima, João Gustavo Claudino, Bruno Mezencio, Fernando Roberto Oliveira, Alberto Carlos Amadio, Júlio Cerca Serrão - Laboratório de Biomecânica da Faculdade de Educação Física da Universidade de São Paulo


Introdução

 

No atletismo, as provas sobre barreiras são uma combinação de corrida cíclica e depuração técnica do movimento de passagem sobre a barreira, sendo este um dos elementos mais importantes na determinação do resultado final do competidor [1]. Em barreiras, a perda de velocidade horizontal deve ser a mínima possível, porém alguns fatores são limitantes para que isso ocorra, tais como deficiência de flexibilidade, baixo nível de força e contato físico com a barreira, assim como grandes oscilações do centro de gravidade (CG), seja nos intervalos entre as barreiras, na passagem sobre ou na aterrissagem após a barreira. No entanto, estes últimos dois pontos são condição ideal para um voo curto e rápido.

 

Sabendo que existem diferenças específicas entre especialistas na prova de 110 m e 400 m sobre barreiras, o foco do nosso trabalho foi estabelecer ângulos da articulação do tornozelo, joelho e quadril da perna de balanço na fase de sustentação, momento em que ocorre a maior depressão do CG [4]. Portanto, o estudo teve como objetivo analisar diferenças técnicas biomecânicas em atletas velocistas especialistas em provas sobre barreiras de 110 m e 400 m durante a fase de sustentação, sendo também caracterizado pelo momento de preparação para a abordagem da barreira.

 

Métodos

 

A amostra foi constituída por um atleta barreirista especialista na prova de 110 m e um atleta barreirista especialista na prova de 400 m sobre barreiras. Os atletas são da categoria juvenil (até 19 anos), finalistas no Campeonato Brasileiro em sua categoria e se encontram entre os três primeiros dos referidos rankings nacionais em suas provas.

 

Para este estudo, os atletas submeteram-se à execução de gesto técnico de passagem sobre a barreira oficial Nordic com altura menor em uma regulagem à habitualmente utilizada em competições, 9 cm abaixo do oficial para os 110 m e 7 cm para os 400 m, realizando dez tomadas cada um dos atletas avaliados, sendo cinco passagens observando momento de Propulsão para abordagem da barreira e cinco passagens observando a Aterrissagem após a barreira. Para cada tentativa foram analisados os seguintes parâmetros: impulso vertical, pico de força vertical e ângulos no plano sagital das articulações do tornozelo e do joelho da perna de apoio e da articulação do quadril da perna de ataque no momento da abordagem da barreira. Este momento foi determinado como o momento em que o CG se alinha com o ponto de apoio. Para aquisição desses dados foram utilizadas duas plataformas de força AMTI BP600900-2000 (AMTI; Watertown, EUA) conectadas aos amplificadores AMTI MiniAmp MSA-6 e sete câmeras VICON MX3+, (VICON; Oxford, EUA) conectadas ao módulo VICON MX Ultranet HD, que também realizava a sincronização com os dados das plataformas de força através de conexão analógica com os amplificadores.

 

Resultados

 

Com relação à quantificação de sobrecarga mensurada através da FRS, pudemos detectar que não houve diferença significativa entre os sujeitos analisados no momento de abordagem, porém, verificamos ainda que o atleta especialista em 400 m sobre barreiras incorreu em maior aplicação de força no momento da aterrisagem. Observamos, ainda, que em ambos os atletas os ângulos articulares para tornozelo, ainda que não tenha havido diferença significativa, o barreirista de 110 m apresentou um menor valor para esse item. Já na mensuração em ângulo de articulação do joelho em ambos os sujeitos, pudemos observar uma relativa diferença entre eles, tendo havido uma maior flexão no atleta de 400 m. Para o ângulo do quadril em perna de ataque nos dois sujeitos, observamos uma maior angulação no atleta de 110 m, dessa forma confirmando os achados em [2], em que atletas barreiristas de 110 m, em virtude da sua maior habilidade e domínio técnico, tendem a promover um ataque mais rápido e, consequentemente, menores níveis angulares em articulação de tornozelo e joelho na perna de impulso no momento da abordagem.

 

Conclusões

 

Dessa forma, pudemos constatar em nosso estudo que, quando analisadas as forças exercidas na plataforma por ambos os atletas, não há diferenças significativas entre elas, uma vez que ambos realizaram atividades similares na avaliação, porém acreditamos que essa vertente possa ser diferenciada quando avaliados em situações reais competitivas, uma vez que também pudemos detectar que o movimento técnico do atleta especialista na prova de 400 m sobre barreiras é mais deficiente em virtude de sua menor habilidade no movimento técnico.

 

Nosso estudo mostra, ainda, que analisar a fase de sustentação no momento da abordagem nas provas sobre barreiras é extremamente importante, uma vez que, mesmo que não tenham ocorrido diferenças significativas na mensuração de ângulos de tornozelo e joelhos, detectamos uma grande diferença no ângulo da articulação do quadril, muito provavelmente em função da maior velocidade segmentar do atleta de 110 m.

 

Referências Bibliográficas

 

1. Li X., et al. Comparative Biomechanics Analysis of Hurdle Clearence Techniques. Port J Sport Scie 11:307-309, 2011.

2. Bubanj R., et al. Comparative Biomechanical Analysis of Hurdle Clearence Techniques on 110m Running with Hurdles of Elite and non Elite Athletes. Serb J Sports Scie 2: 37-44, 2008.

3. Coh M., Biomechanical analysis of Colin Jackson''''s hurdle clearance technique. New Sudies in Athletics 18:37-45, 2003.

4. Amadio et al. Contextualização da biomecânica para a investigação do movimento, fundamentos, métodos e aplicações para análise da técnica esportiva. Rev Bras Edu Fís Esp 21:61-85, 2007.

5. McDonald et al. Linear kinematics of the men''''s and woman''''s hurdles races. Medicine and Science in Sports Exercise 23:1382-1402, 1991.

6. McLean B., The biomechanics of hurdling. Force plate analysis to assess hurdling technique. NSA 4, 55-58, 1994.

7. Hommel H., et al. NSA photosequences 33 & 34 110 m hurdles: Colin Jackson. NSA 3, 57- 65, 1995.

8. Finch et al. Relationship Between Foot Pressures and Horizontal Velocities Alterations While Hurdling. 30th Annual Conf Biom in Sports: 70-71, 2012.



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